Escolher um servidor não significa simplesmente procurar o equipamento com maior número de núcleos, mais memória ou mais discos. A configuração correta depende da carga de trabalho, quantidade de usuários, aplicações, crescimento esperado, disponibilidade necessária e orçamento.

Nesta primeira parte do Guia de Compra de Servidores da Rukam, mostramos como avaliar os três componentes que mais influenciam o comportamento de um servidor: processador, memória RAM e armazenamento.

Antes de escolher a configuração

Antes de escolher a configuração, responda algumas perguntas:

  • Qual será a principal função do servidor?
  • Quantos usuários ou máquinas virtuais utilizarão o equipamento?
  • Quais aplicações e sistemas operacionais serão executados?
  • A carga exige mais desempenho por núcleo ou maior capacidade de processamento paralelo?
  • Quanto de memória a aplicação utiliza hoje e qual o crescimento esperado?
  • O armazenamento precisa priorizar capacidade, desempenho, latência, redundância ou uma combinação desses fatores?
  • Existe necessidade de expansão futura?

Não existe uma configuração universalmente “melhor”. Existe a configuração mais adequada à carga de trabalho.

Rack, Torre ou Blade

Antes de CPU, memória e discos, também é importante definir a plataforma física:

  • Rack: formato predominante em data centers e salas técnicas, com boa densidade, expansão e manutenção;
  • Torre: adequado a ambientes menores que não possuem rack ou infraestrutura dedicada;
  • Blade ou modular: indicado para ambientes que utilizam chassis compartilhado e exigem alta densidade.

A escolha da plataforma deve considerar espaço, expansão, consumo, refrigeração, gerenciamento e infraestrutura já existente.

Processador (CPU)

A CPU executa as instruções dos sistemas operacionais, aplicações e serviços do servidor. Ao comparar processadores, os principais pontos são:

  • número de núcleos;
  • frequência base e frequência Turbo;
  • arquitetura e geração do processador;
  • quantidade de processadores suportados pela plataforma;
  • memória suportada e número de canais de memória;
  • consumo/TDP;
  • requisitos de licenciamento do software utilizado.

Um processador com clock maior não é automaticamente mais rápido em todas as aplicações, assim como um processador com muitos núcleos não é automaticamente a melhor escolha. A carga de trabalho determina qual característica é mais importante.

Mais clock ou mais núcleos?

Cargas predominantemente dependentes de poucos threads podem se beneficiar mais de alto desempenho por núcleo. Já virtualização, múltiplos serviços simultâneos e aplicações capazes de paralelizar suas tarefas podem aproveitar melhor uma quantidade maior de núcleos.

Em servidores utilizados para bancos de dados, virtualização e aplicações licenciadas por núcleo, a escolha deve considerar também licenciamento, quantidade de VMs, comportamento real da aplicação e geração da CPU.

Por isso, a comparação deve ser feita entre processadores e plataformas completas, e não somente olhando GHz ou número de cores.

Threads

Threads representam fluxos de execução que o processador pode tratar. Em processadores com tecnologias como Intel Hyper-Threading, um núcleo físico pode disponibilizar mais de um processador lógico ao sistema operacional.

Isso pode melhorar a utilização dos recursos internos do processador em determinadas cargas, mas um thread adicional não equivale a um núcleo físico adicional. O ganho varia conforme a aplicação.

Memória RAM

A memória RAM mantém dados e instruções que precisam estar disponíveis rapidamente para o processador. Em servidores, a quantidade necessária depende diretamente da aplicação.

Para dimensionar memória, considere:

  • sistema operacional;
  • aplicações e bancos de dados;
  • quantidade de usuários;
  • número e tamanho das máquinas virtuais;
  • cache utilizado pelas aplicações;
  • crescimento esperado;
  • necessidade de reserva para picos de utilização.

Além da capacidade total, devem ser observados tipo de DIMM, velocidade suportada, população dos canais de memória, quantidade de processadores instalados e regras específicas da plataforma.

Instalar memória além da necessidade real não necessariamente aumenta o desempenho. O objetivo é ter capacidade suficiente para a carga atual, margem adequada e possibilidade de expansão.

HDD ou SSD?

HDD e SSD atendem objetivos diferentes.

HDD continua sendo uma alternativa importante quando a prioridade é grande capacidade com menor custo por TB, especialmente para arquivos, backup, repositórios e cargas predominantemente sequenciais.

SSD oferece menor latência e maior desempenho de I/O, sendo normalmente mais indicado para sistemas operacionais, virtualização, bancos de dados e aplicações com grande quantidade de acessos aleatórios.

Também é possível combinar tecnologias, utilizando SSD para as cargas mais sensíveis a desempenho e HDD para armazenamento de grande capacidade.

SATA, SAS e NVMe

Em servidores Enterprise, as principais interfaces de armazenamento encontradas são:

  • SATA: amplamente utilizado em HDDs e SSDs, normalmente priorizando capacidade e custo;
  • SAS: tradicional em ambientes Enterprise, com recursos e características voltados a servidores e storage;
  • NVMe: utiliza PCI Express e oferece latência muito menor e alta capacidade de I/O, quando suportado pela plataforma.

Ao escolher os discos, é necessário verificar interface, backplane, controladora, formato físico, velocidade, capacidade, compatibilidade e suporte a hot-swap.

A velocidade nominal da interface não deve ser confundida com o desempenho efetivo do disco. Por exemplo, interfaces SATA 6G e SAS 12G são expressas em Gb/s, e não GB/s.

2,5" ou 3,5"

O formato físico também influencia a configuração:

  • 3,5" (LFF): muito utilizado quando a prioridade é capacidade por unidade, especialmente com HDDs;
  • 2,5" (SFF): permite maior densidade de baias em muitos servidores e é comum em HDDs SAS, SSDs SATA/SAS e algumas arquiteturas de armazenamento.

O número e o tipo de baias do servidor devem ser avaliados junto com a capacidade necessária, redundância, expansão futura e controladora instalada.

RAID

O tipo de RAID também faz parte do dimensionamento.

RAID pode oferecer redundância, desempenho ou uma combinação desses fatores, dependendo do nível utilizado. A escolha entre RAID 1, RAID 5, RAID 6, RAID 10 ou outras opções deve considerar quantidade de discos, capacidade útil necessária, desempenho de escrita, tolerância a falhas e tempo de reconstrução.

É importante diferenciar:

  • capacidade bruta: soma da capacidade nominal de todos os discos;
  • capacidade útil do RAID: espaço disponível após a redundância;
  • capacidade apresentada pelo sistema operacional: pode ser numericamente menor devido à diferença entre TB e TiB, formatação e estruturas do sistema de arquivos.

Exemplo 1 — Arquivos, Active Directory e aplicações leves

Plataformas possíveis: Dell PowerEdge R720 / HPE ProLiant DL380 Gen8 ou equivalentes, quando compatíveis com a aplicação e com os requisitos de suporte.

  • 1 × Intel Xeon E5-2650 v2 — 8 cores / 16 threads, 2,60 GHz base;
  • 128 GB DDR3 ECC RDIMM, configurada de acordo com as regras de população de memória da plataforma;
  • 4 × HDD Enterprise de 4 TB em RAID adequado à necessidade de capacidade, desempenho e redundância;
  • controladora RAID com cache e proteção compatíveis com a configuração;
  • fontes redundantes, quando exigidas pelo ambiente.

A configuração deve ser validada de acordo com sistema operacional, aplicação, volume de dados, quantidade de usuários e política de backup.

Exemplo 2 — Virtualização, aplicações e banco de dados de porte intermediário

Plataformas possíveis: Dell PowerEdge R730 / HPE ProLiant DL380 Gen9 ou equivalentes, conforme requisitos de aplicação e suporte.

  • 2 × Intel Xeon E5-2695 v4 — 18 cores / 36 threads por processador;
  • 256 GB DDR4 ECC RDIMM;
  • SSD Enterprise SAS ou SATA dimensionado conforme capacidade e carga de I/O;
  • RAID escolhido conforme desempenho e tolerância a falhas necessários;
  • controladora, cache, fontes e interfaces de rede compatíveis com a aplicação.

Para SQL Server, virtualização ou outras cargas licenciadas por núcleo, a escolha de processadores deve considerar também o impacto do licenciamento.

Geração e compatibilidade também importam

Dois servidores com quantidades semelhantes de núcleos e memória podem apresentar diferenças importantes de desempenho, eficiência, recursos de gerenciamento e capacidade de expansão por pertencerem a gerações diferentes.

Ao comparar equipamentos usados ou recondicionados, considere também:

  • geração do processador e da plataforma;
  • tipo e velocidade da memória;
  • geração PCI Express;
  • suporte a NVMe;
  • controladora RAID;
  • interfaces de rede;
  • iDRAC, iLO ou outra ferramenta de gerenciamento;
  • compatibilidade com sistemas operacionais e aplicações;
  • possibilidade de expansão futura.

Servidor novo ou usado?

Equipamentos Enterprise de gerações anteriores podem continuar atendendo muito bem determinadas cargas de trabalho, muitas vezes com custo significativamente menor que uma plataforma nova.

A decisão deve considerar não apenas idade, mas estado do equipamento, procedência, testes realizados, disponibilidade de peças, consumo, desempenho, compatibilidade e expectativa de utilização.

Na Rukam, equipamentos abrangidos pelo padrão RUKAM Certified passam pelos processos de seleção, teste e preparação aplicáveis antes da comercialização.

Conclusão

Não escolha um servidor apenas pela ficha técnica.

CPU, memória e armazenamento precisam trabalhar de forma equilibrada e de acordo com a aplicação. Uma configuração superdimensionada pode aumentar o custo sem benefício real; uma configuração subdimensionada pode comprometer desempenho e expansão.

Se houver dúvida sobre compatibilidade ou dimensionamento, a equipe técnica da Rukam pode ajudar a avaliar a configuração mais adequada ao cenário.

Na Parte 2: plataforma, redundância, RAID, rede, expansão, gerenciamento remoto e outros pontos importantes na escolha de um servidor.