Escolher um switch para uma rede corporativa exige muito mais do que verificar a quantidade de portas. Velocidade, VLANs, capacidade de switching, uplinks, redundância, transceivers e recursos de roteamento podem determinar se o equipamento é adequado para a infraestrutura.

Uma das dúvidas mais comuns é a diferença entre switches Layer 2 e Layer 3.

A diferença fundamental é simples:

Layer 2 trabalha principalmente com frames Ethernet e endereços MAC. Layer 3 acrescenta funções de roteamento IP, permitindo, entre outras possibilidades, comunicação entre diferentes VLANs.

Na prática, porém, os recursos disponíveis variam bastante entre fabricantes, modelos, versões de software e licenças. Por isso, entender apenas a classificação Layer 2 ou Layer 3 não é suficiente para escolher corretamente um switch.

O que significa Layer 2 e Layer 3?

Os termos Layer 2 e Layer 3 fazem referência às camadas do modelo OSI (Open Systems Interconnection).

O modelo OSI é um modelo de referência utilizado para descrever e compreender diferentes funções de comunicação em redes. Ele não substitui o conjunto de protocolos TCP/IP utilizado nas redes modernas.

Para entender switches, duas camadas são especialmente importantes:

  • Layer 2 — Data Link: trabalha com frames Ethernet e endereços MAC;
  • Layer 3 — Network: trabalha com endereçamento e roteamento IP.

O que é um switch Layer 2?

Um switch Layer 2 encaminha frames Ethernet utilizando principalmente os endereços MAC dos dispositivos conectados.

O switch aprende quais endereços MAC estão associados às suas portas e mantém essas informações em uma tabela, normalmente chamada de MAC Address Table ou tabela CAM.

Quando recebe um frame destinado a um endereço conhecido, o switch pode encaminhá-lo para a porta correspondente.

Dependendo do modelo, um switch Layer 2 também pode oferecer recursos como:

  • VLANs;
  • 802.1Q trunking;
  • Spanning Tree Protocol (STP);
  • Rapid Spanning Tree Protocol (RSTP);
  • Link Aggregation / LACP;
  • QoS;
  • port security;
  • gerenciamento;
  • monitoramento.

Os recursos exatos dependem do equipamento e de sua versão de software.

O que é um switch Layer 3?

Um switch Layer 3 combina funções de switching Ethernet com capacidade de roteamento IP.

Além de encaminhar tráfego dentro de uma VLAN, ele pode permitir a comunicação entre diferentes redes IP ou VLANs diretamente através do próprio switch.

Dependendo do modelo e do software instalado, podem existir recursos como:

  • roteamento estático;
  • roteamento entre VLANs;
  • OSPF;
  • BGP;
  • VRRP;
  • ACLs;
  • ECMP;
  • outros protocolos e recursos de roteamento.
Atenção:

Nem todo switch comercializado como Layer 3 oferece todos esses recursos. A implementação depende do modelo, sistema operacional, versão de firmware e, em alguns casos, licenciamento.

O que é VLAN?

VLAN (Virtual Local Area Network) permite criar redes lógicas separadas utilizando a mesma infraestrutura física de switching.

Por exemplo, uma empresa poderia organizar sua rede da seguinte maneira:

VLAN Utilização
VLAN 10 Servidores
VLAN 20 Usuários
VLAN 30 Storage
VLAN 40 Gerenciamento

Os dispositivos podem estar conectados ao mesmo conjunto de switches físicos e, ainda assim, pertencer a redes lógicas diferentes.

Para transportar múltiplas VLANs entre equipamentos de rede, é comum utilizar 802.1Q VLAN tagging em links trunk.

Intra-VLAN vs inter-VLAN

Essa diferença é fundamental para compreender Layer 2 e Layer 3.

Intra-VLAN = switching Layer 2
Inter-VLAN = roteamento Layer 3

Quando dois equipamentos estão na mesma VLAN e rede IP, a comunicação normalmente ocorre através de switching Layer 2.

Quando dispositivos pertencem a VLANs e redes IP diferentes, é necessário algum dispositivo Layer 3 para realizar o roteamento entre essas redes.

Esse roteamento pode ser realizado por um switch Layer 3, roteador, firewall ou outra plataforma com capacidade de roteamento.

Layer 2 vs Layer 3: principais diferenças

Recurso Layer 2 Layer 3
Encaminhamento por MAC Sim Sim
VLAN Sim* Sim
802.1Q trunk Sim* Sim*
Switching dentro da VLAN Sim Sim
Roteamento entre VLANs Normalmente não Sim*
IP para gerenciamento Pode possuir Pode possuir
Roteamento estático Normalmente não Sim*
OSPF/BGP Não em switches L2 tradicionais Dependendo do modelo

* Os recursos disponíveis dependem do modelo, firmware, sistema operacional e licenciamento. Existem também switches comercializados como Layer 2+, Layer 3 Lite ou classificações semelhantes.

Um switch Layer 3 substitui um roteador ou firewall?

Não necessariamente.

Um switch Layer 3 pode realizar roteamento interno entre redes e VLANs em alta velocidade, mas isso não significa que ele ofereça todas as funções encontradas em roteadores e firewalls.

Dependendo da infraestrutura, ainda podem ser necessários equipamentos específicos para:

  • acesso à Internet;
  • WAN;
  • NAT;
  • VPN;
  • firewall e inspeção de tráfego;
  • SD-WAN;
  • políticas avançadas de segurança;
  • conectividade com operadoras.

Em muitas redes corporativas, o switch Layer 3 realiza o roteamento interno enquanto um firewall ou roteador controla a comunicação externa.

Quando escolher um switch Layer 2?

Um switch Layer 2 pode ser suficiente quando o objetivo principal é fornecer conectividade Ethernet e segmentação por VLAN, enquanto o roteamento é realizado por outro equipamento.

Exemplos:

  • switches de acesso;
  • redes com roteamento centralizado;
  • expansão de portas;
  • conectividade de servidores dentro da mesma arquitetura de VLAN;
  • ambientes em que firewall ou core switch realiza o roteamento.

Quando escolher um switch Layer 3?

Um switch Layer 3 é especialmente interessante quando existe necessidade de roteamento diretamente na infraestrutura de switching.

Exemplos:

  • roteamento entre VLANs;
  • redes com múltiplas sub-redes;
  • core ou distribuição;
  • data centers;
  • ambientes que precisam de roteamento interno de alto desempenho;
  • topologias que utilizam protocolos de roteamento dinâmico.

1GbE, 10GbE, 25GbE, 40GbE ou 100GbE?

Depois de definir os recursos de rede necessários, é preciso determinar a velocidade das interfaces.

Em ambientes enterprise é comum encontrar switches com:

  • 1GbE — acesso e aplicações de menor largura de banda;
  • 10GbE — amplamente utilizado em servidores e storages;
  • 25GbE — maior densidade de largura de banda por lane em plataformas modernas;
  • 40GbE — muito utilizado em uplinks e gerações anteriores de data center;
  • 100GbE — redes de alta capacidade, uplinks, backbone e data centers.

A escolha deve considerar não apenas a velocidade atual dos servidores, mas também uplinks, oversubscription, crescimento da infraestrutura e arquitetura da rede.

SFP, SFP+, SFP28, QSFP+ e QSFP28

Comprar o switch é apenas parte da solução.

Equipamentos com interfaces ópticas ou de alta velocidade podem exigir transceivers, cabos DAC ou outros componentes compatíveis.

Formato Velocidade comum
SFP 1GbE
SFP+ 10GbE
SFP28 25GbE
QSFP+ 40GbE
QSFP28 100GbE

Também é necessário verificar tipo de fibra, comprimento de onda, distância, velocidade, breakout, compatibilidade do transceiver e suporte do equipamento.

Não escolha o switch isoladamente.

Switch, transceiver, DAC, fibra, NIC do servidor e velocidade configurada precisam formar uma solução compatível.

Switching capacity e forwarding rate

A quantidade e a velocidade das portas não são as únicas especificações de desempenho de um switch.

Duas métricas importantes são:

Switching capacity ou capacidade de switching: representa a capacidade agregada da arquitetura de switching do equipamento, normalmente expressa em Gbps ou Tbps.

Forwarding rate: representa a quantidade de pacotes que o equipamento consegue encaminhar por segundo, normalmente expressa em Mpps ou Bpps.

Em redes de alto desempenho, essas características devem ser verificadas juntamente com a quantidade e velocidade das portas.

Stacking, LACP e redundância

Recursos de redundância também podem ser importantes em ambientes corporativos.

Stacking permite que determinados modelos sejam interconectados e administrados de maneira integrada, dependendo da arquitetura do fabricante.

LACP (Link Aggregation Control Protocol) permite agregar múltiplos links físicos em uma interface lógica, aumentando capacidade e/ou redundância conforme a configuração.

Além disso, switches enterprise podem oferecer:

  • fontes redundantes;
  • ventiladores substituíveis;
  • módulos de expansão;
  • uplinks redundantes;
  • MLAG, VLT, vPC ou tecnologias equivalentes, dependendo do fabricante.

Airflow também importa

Em switches destinados a data centers, o sentido do fluxo de ar pode ser uma especificação importante.

Dependendo do modelo, podem existir versões com airflow:

  • front-to-back;
  • back-to-front.

O objetivo é manter o fluxo térmico compatível com a organização dos corredores frio e quente do data center.

Um switch tecnicamente correto em portas e desempenho pode ser inadequado para determinado rack se possuir direção de airflow incompatível com o restante da infraestrutura.

Switch enterprise usado pode ser uma boa opção?

Sim, principalmente quando o workload não exige obrigatoriamente a geração mais recente.

Switches enterprise usados podem oferecer recursos como:

  • grande quantidade de portas;
  • 10GbE, 25GbE, 40GbE ou 100GbE;
  • Layer 3;
  • fontes redundantes;
  • stacking;
  • LACP;
  • uplinks de alta velocidade;
  • recursos de gerenciamento e monitoramento.

Entretanto, a avaliação não deve se limitar ao preço.

É importante verificar:

  • procedência;
  • estado físico;
  • funcionamento das portas;
  • fontes;
  • ventiladores;
  • firmware;
  • licenciamento;
  • airflow;
  • compatibilidade com transceivers e DACs;
  • recursos efetivamente habilitados.

Checklist: como escolher um switch

Antes de escolher um switch para servidores, storage ou infraestrutura corporativa, verifique:

01. Quantas portas são necessárias?

02. Qual velocidade: 1, 10, 25, 40 ou 100GbE?

03. RJ45, SFP, SFP+, SFP28, QSFP+ ou QSFP28?

04. Precisa de Layer 3?

05. Quantas VLANs serão utilizadas?

06. Precisa de roteamento entre VLANs?

07. Precisa de stacking ou agregação de links?

08. Qual switching capacity e forwarding rate?

09. Precisa de fontes redundantes?

10. Qual o sentido correto do airflow?

11. Quais transceivers e cabos serão utilizados?

12. Quais recursos dependem de firmware ou licença?

Afinal, Layer 2 ou Layer 3?

Se a função principal do switch é fornecer conectividade dentro das VLANs e o roteamento já é realizado por outro equipamento, um switch Layer 2 pode ser suficiente.

Se a infraestrutura precisa realizar roteamento entre VLANs ou redes diretamente no switch, um Layer 3 pode ser a escolha mais adequada.

Mas Layer 2 ou Layer 3 é apenas uma parte da especificação.

PORTAS + VELOCIDADE + LAYER 2/3 + VLAN + UPLINKS + REDUNDÂNCIA + AIRFLOW + TRANSCEIVERS + LICENÇAS

A escolha correta deve considerar a arquitetura completa da rede e não apenas uma característica isolada do equipamento.

Switches enterprise na Rukam

A Rukam trabalha com switches e equipamentos de rede enterprise de fabricantes como Cisco, Dell, HPE e outras plataformas corporativas.

O portfólio pode incluir equipamentos Layer 2 e Layer 3, diferentes velocidades de interface, fontes, módulos, transceivers e outros componentes de infraestrutura.

Os equipamentos e componentes são avaliados e testados antes da comercialização, com atenção à procedência e às características técnicas de cada modelo.

Ao escolher um switch, o objetivo deve ser encontrar a combinação correta de portas, velocidade, recursos, compatibilidade e capacidade para a arquitetura da rede.